Carta de Tolstói a Strákhov sobre a morte de Dostoiévski

Liev Tolstói, apesar de ter vivido na mesma época de Fiódor Dostoiévski, esses dois gênios da literatura russa e mundial, de pensamentos tão opostos, nunca se encontraram. Porém, Tolstói e Dostoiévski chegaram a estar em um mesmo ambiente. Este fato ocorreu no dia 10 de março de 1878, em uma aula pública do filósofo Vladímir Solovióv. Este tinha um grande amigo em comum, tanto com Dostoiévski como com Tolstói, era o filósofo Nikolai Strákhov, com quem Tolstói trocou inúmeras correspondências. Tolstoi ficou sabendo deste “quase encontro” apenas após a morte de Dostoiévski.

Em uma das cartas escritas por Strákhov a Tolstói, este e informado da morte de Dostoiévski. Tolstói apressou-se em respondê-la ao amigo o quanto antes. Eis a carta a Strákhov que Tolstói comenta a morte de Dostoiévski:

Iásnaia Poliana, 5-10(?) de fevereiro de 1881.

Recebi agora sua carta, caro Nikolai Nikoláitch, e apressei-me em respondê-la.

Naturalmente, refere-se à minha carta.

Como eu gostaria de poder dizer tudo o que sinto a respeito de Dostoiévski. O senhor, ao descrever seu sentimento, expressou parte do meu. Eu nunca encontrei esse homem e nunca tive relação direta com ele e, de repente, quando ele morreu, percebi que ele mesmo era a pessoa mais próxima, querida e necessária para mim. Eu era um escritor e os escritores são todos vaidosos, invejosos, ao menos eu sou um escritor deste tipo. E nunca me veio à mente comparar-me com ele, nunca. Tudo o que ele fez (é bom, é genuíno o que ele fez), era de tal modo que, quanto mais ele fizesse, melhor era para mim. A arte causa-me inveja, a inteligência também, mas o assunto do coração causa-me apenas alegria. Eu o considerava tanto como meu amigo, e não pensava outra coisa senão que nos encontraríamos, e que agora apenas não aconteceu, mas que isso era algo meu. E subitamente, na hora do jantar, eu jantava sozinho, atrasei-me, leio que ele morreu. De alguma forma o ponto de apoio foi arrancado de mim. Fiquei confuso, e depois se tornou claro como ele me era querido, até chorei e estou chorando agora.

Nos dias anteriores à sua morte, li “Humilhados e ofendidos” e fiquei comovido.

No funeral, por intuição, eu sabia que, por mais que os jornais criticassem tudo isso, era um sentimento genuíno.

O que acha da carta da esposa? Neste momento não preciso de livros. Sou muito grato ao senhor. Abraço-o e amo o senhor de todo o coração.

Seu L. Tolstói.

Vassíli Ivánitch sempre pede para transmitir-lhe seu amor e respeito.”

Original em russo:

“1881 г. Февраля 5—10? Я. П.

Получилъ сейчасъ ваше письмо дорогой Николай Николаичъ, и спешу вамъ ответить.

Разумеется ссылайтесь на мое письмо.

Какъ бы я желалъ уметь сказать все, чтo я чувствую о Достоевскомъ. Вы, описывая свое чувство, выразили часть моего. Я никогда не видалъ этаго человека и никогда не имелъ прямыхъ отношенiй съ нимъ, и вдругъ, когда онъ умеръ, я понялъ, что онъ былъ самый, самый близкiй, дорогой, нужный мне человекъ. Я былъ литераторъ и литераторы все тщеславны завистливы, я по крайней мере такой литераторъ. И никогда мне въ голову не приходило меряться съ нимъ — никогда. Все, чтò онъ делалъ (хорошее, настоящее, чтò онъ делалъ), было такое, что чемъ больше онъ сделаетъ, темъ мне лучше. Искуство вызываетъ во мне зависть, умъ тоже, но дело сердца только радость. — Я его такъ и считалъ своимъ другомъ, и иначе не думалъ, какъ то, что мы увидимся, и что теперь только не пришлось, но что это мое. И вдругъ за обедомъ — я одинъ обедалъ, опоздалъ — читаю умеръ. Опора какая то отскочила отъ меня. Я растерялся, а потомъ стало ясно, какъ онъ мне былъ дорогъ, и я плакалъ и теперь плачу. —

На дняхъ, до его смерти, я прочелъ Униженные и оскорбленные и умилялся. —

Въ похоронахъ я чутьемъ зналъ, что какъ ни обосрали все это газеты, было настоящее чувство. —

Что скажете на письмо жены? — Книги въ эту минуту не нужно. Очень благодарю васъ. Отъ всей души обнимаю и люблю васъ.

 Вашъ Л. Толстой.

Вас[илiй] Иванычъ всякiй разъ проситъ передать вамъ свою любовь и уваженiе.”

Fonte do original em russo: http://tolstoy-lit.ru/tolstoy/pisma/1880-1886/letter-32.htm

Artigo publicado originalmente em: https://www.linkedin.com/pulse/carta-de-tolstói-strákhov-sobre-morte-dostoiévski-robson-ortlibas/?published=t

Como os russos pronunciam os nomes de seus escritores?

Quem nunca ficou confuso ao tentar ler ou pronunciar os nomes de alguns dos grandes escritores russos? E o que dizer sobre os nomes dos personagens e até das obras? Sim, não é uma tarefa das mais fáceis, mas vamos começar pelos nomes dos autores. A dificuldade se dá, principalmente, por não estarmos inseridos na cultura russa e nem mesmo no idioma russo, como estamos inseridos na cultura de língua inglesa em geral (filmes, livros, séries, comerciais, etc.).

Pensando nisso, resolvi preparar uma pequena lista com os nomes de alguns dos mais famosos escritores russos. Não sou professor de língua russa, não sou russo e muito menos tenho a intenção de apontar “erros” (afinal, o que é um erro?) ou corrigir a maneira com que os leitores falam os nomes dos seus autores favoritos. Vale lembrar que somos brasileiros e falamos português. Ademais, não temos obrigação alguma em saber pronúncias estrangeiras; pelo simples fato de que muitos destes nomes já se tornaram até mesmo famosos na pronúncia largamente usada no Brasil. (Até mesmo entre especialistas em literatura russa)

Sendo assim, vamos à lista!

Obs.: para simplificar, usarei o nome tal como é grafado no Brasil, seguido da sua pronúncia aproximada e, por fim, como é escrito em russo.

LIÉV TOLSTÓI

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O nome do grande autor de Guerra e paz já foi grafado de diversas maneiras, desde Leão até Leon. No entanto, ultimamente é mais comum grafá-lo tal como ele é em russo:

Liév Tolstói = Liêv Talstôi = Лев Толстой.

É muito comum cometermos o engano de ler os acentos agudos como vogais abertas, no entanto, em russo não há esse tipo de som. Sendo assim, quando se utiliza acentos agudos nas vogais “e” e “o” é apenas para marcar a tônica, e esta deve ser pronunciada com o som fechado, como o som do nosso acento circunflexo.

ALEKSANDR PÚCHKIN

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O nome do grande poeta e o símbolo máximo da poesia e até da língua russa, não encontramos grandes dificuldades em pronunciá-lo. A única ressalva é quanto à grafia de seu nome, que pode variar entre Aleksander, Alexander ou Aleksandr.

Aleksandr Púchkin = Aleksándr Púchkin = Александр Пушкин.

FIÓDOR DOSTOIÉVSKI

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O autor de Crime e castigo e “queridinho” dos brasileiros, talvez tenha um dos nomes mais difíceis de encontrar alguém pronunciando da maneira como os falantes de russo pronunciam.

Fiódor Dostoiévski = Fiôdar Dastaiêvski = Фёдор Достоевский.

MIKHAIL BULGÁKOV

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O autor de O mestre e margarida também tem um nome bastante complicado para nós brasileiros.

Mikhail Bulgákov = Mikhaíl Bulgákav = Михаил Булгаков.

O som do dígrafo “KH” tem o som igual à letra “H” de “Harry Potter” ou do som de “RR” do português.

VLADIMIR NABOKOV

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           O controverso autor de Lolita, embora escrevera sua grande obra primeiramente em inglês, ainda assim pode ser considerado um escritor de literatura russa.

Vladimir Nabokov = Vladímir Nabôkav = Владимир Набоков.

NIKOLAI GÓGOL

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O grande escritor de Almas mortas também costuma ser chamado de “Nicolau”, que é a versão do seu nome em língua portuguesa.

Nikolai Gógol = Nikalái Gôgal = Николай Гогол.

ANTON TCHÉKHOV

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Esse provavelmente está no grupo dos que raramente se encontrará no Brasil alguém pronunciando como os russos.

Anton Tchékhov = Antôn Tchêkhav.

Mais uma vez, temos o mesmo dígrafo que vimos em Mikhail.

MAKSIM GÓRKI

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Este nome também pode ser encontrado como “Máximo”, que o seu análogo em língua portuguesa.

Maksim Górki = Maksím Gôrki = Максим Горький.

BORIS PASTERNAK

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O nome do autor de Doutor Jivago pode surpreender algumas pessoas com a forma que é pronunciado pelos russos.

Boris Pasternak = Barís Pasternák = Борис Пастернак.

ALEKSANDR SOLZHENÍTSIN

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O grande escritor que recebeu o prêmio Nobel de literatura, autor de Arquipélago Gulag.

Aleksandr Solzhenítsin = Aleksándr Saljenítsin = Александр Солженицын.

EVGUÊNI ZAMIÁTIN

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Considerado o pai da distopia, influenciou H.G. Wells e George Orwell, autor de Nós.

Evguêni Zamiátin = Ievguêni Zamiátin = Евгений Замятин.

IVAN TURGUÊNEV

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O grande autor de Pais e filhos, que é considerada uma das maiores obras do século XIX.

Ivan Turguênev = Iván Turguêniev = Иван Тургенев.

VLADIMIR MAIAKÓVSKI

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O famoso poeta soviético é considerado o “poeta da revolução”.

Vladimir Maiakóvski = Vladímir Maiakôvski = Владимир Маяковский.

ANNA ARKHMÁTOVA

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Grande poeta russa, foi uma das mais importantes poetas acmeísta.

Anna Arkhmátova = Anna Arkhmátava = Анна Ахматова.

Aqui, no dígrafo “KH” que antecede uma consoante, soa como se fosse soltando o ar, como se pronunciasse “RR” sem nenhuma vogal.

MARINA TSVETÁEVA

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Mais uma grande poeta russa, autora de muitas obras, entre elas Meu Púchkin.

Marina Tsvetáeva = Marina Tsvetáieva = Марина Цветаева.

SERGUEI IÊSSENIN

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Poeta russo, viveu na mesma época de Maiakóvski e autor de uma vasta obra poética.

Serguei Iêssenin = Serguêi Iêssienin = Сергей Есенин.

IOSSIF BRÓDSKI

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Grande poeta russo, que migrou para os EUA e também recebeu o prêmio Nobel de literatura.

Iossif Bródski = Iôssif Brôdski = Иосиф Бродский.

SERGUEI DOVLÁTOV

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Outro grande escritor moderno russo, também imigrou para os EUA e era grande amigo de Bródski.

Serguei Dovlátov = Serguêi Davlátav = Сергей Довлатов.

MIKHAIL LÉRMONTOV

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O grande autor de O herói do nosso tempo.

Mikhail Lérmontov = Mikhaíl Liêrmantav = Михаил Лермонтов.



Essa lista poderia se alongar por muitas páginas, mas acredito que por ora é o bastante, ao menos para ter uma ideia de como pronunciar seus nomes.

E lembrem-se, não há forma “correta”. Até mesmo nessa pequena lista pode haver discordâncias. Até mesmo nós, tradutores de russo, muitas vezes não conseguimos nos entender com a grafia desses nomes.

No fim das contas, o “correto” é ler suas obras e apreciar a maravilhosa literatura russa. 

*Publicado originalmente em: https://www.linkedin.com/pulse/como-os-russos-pronunciam-nomes-de-seus-escritores-robson-ortlibas/

“Desde cedo eu ontem por você esperei…” – Arseni Tarkóvski

Retirado do filme “O espelho” de Andrei Tarkóvski [Ative as legendas do vídeo]

Desde manhã eu ontem esperei por você,
Eles adivinharam que você não viria,
Você se lembra, como o tempo estava?
Como um feriado! E eu saí sem casaco.

Você hoje veio, e nos deram
Um dia especialmente nublado,
e a chuva, e a hora especialmente tardia,
e as gotas correndo pelos ramos frios

Nem com palavras acalmar, nem com lenço secar…

Tradução do russo*: Robson Ortlibas.

*traduzido sem fins lucrativos. Caso utilize, cite a fonte.

———-

С утра я тебя дожидался вчера,
Они догадались, что ты не придешь,
Ты помнишь, какая погода была?
Как в праздник! И я выходил без пальто.

Сегодня пришла, и устроили нам
Какой-то особенно пасмурный день,
И дождь, и особенно поздний час,
И капли бегут по холодным ветвям.

Ни словом унять, ни платком утереть…

“Prazeres” Bertolt Brecht

A primeira vista da janela de manhã
O velho livro reencontrado
Rostos entusiasmados
Neve, a mudança das estações do ano
O jornal
O cão
A dialética
Tomar ducha, nadar
Música antiga
Sapatos confortáveis
Entender
Música nova
Escrever, plantar
Viajar
Cantar
Ser gentil.

1954

Tradução do alemão*: Robson Ortlibas.

*traduzido sem fins lucrativos. Caso utilize, cite a fonte.

Удовольствия” Бертольт Брешт

Первый вид из окна утром
Вновь найденная старая книга
Восторженные лица
Снег, смена времени года
Газета
Пёс
Диалектика
Принимать душ, плавать
Старая музыка
Удобная Обувь
Понять
Новая музыка
Писать, сажать
Ездить
Петь
Быть добрым

[1954]


Перевод с немецкого языка*: Робсон Ортлибас.
*Некоммерческий перевод. Если вы используете, приведите источник.

“Vergnügungen” Bertolt Brecht

Der erste Blick aus dem Fenster am Morgen
Das wiedergefundene alte Buch
Begeisterte Gesichter
Schnee, der Wechsel der Jahreszeiten
Die Zeitung
Der Hund
Die Dialektik
Duschen, Schwimmen
Alte Musik
Bequeme Schuhe
Begreifen
Neue Musik
Schreiben, Pflanzen
Reisen
Singen
Freundlich sein.

1954

“Nós comunistas somos…” Vladímir Maiakóvski

Nós comunistas somos,
porque hoje de pé estamos,
da escuridão o amanhã contrapomos
e para o presente empurramos.

Nós comunistas somos,
porque a classe sem voz ouvimos,
a uma massa cantante dispomos,
a todos os que são mudos e sozinhos.

Nós comunistas somos,
porque, em calmas águas passando,
do mar levantando ouvimos o som,
e não fugimos, vamos andando.

Nós comunistas somos,
porque os prós e contras pesando,
em fila lutando, recuamos,
e depois, seguimos avançando…

1923

Мы – коммунисты…

Мы – коммунисты тем,
что, ногами в сегодня стоящие,
тянемся завтрему в темь
и тащим его в настоящее.

Мы – коммунисты тем,
что слышим класс безгласый,
всех, кто разрознен и нем,
бросаем поющей массой.

Мы – коммунисты тем,
что, даже шагая по глади,
слышим моря встающего темп,
и идем, и не прячемся сзади.

Мы – коммунисты тем,
что, взвесив плюсы [и] минусы,
отступим, деряся в хвосте,
и после с разбега кинемся…

1923

“Pata minha, pata…” Robert Rozhdestvensky

Pata minha, pata,

Focinho meu, focinho,

Eu aprenderei a chorar

Sem voz e quietinho.

Eu aprenderei a pensar

Muito e sem histeria,

O orgulho trancarei nos porões

E aprenderei a ACREDITAR!

Maravilha minha, maravilha,

Prazer meu, prazer,

Se quiser, passo todo

O fim de semana com você?

Se quiser, com carinho afaga

Com o seu molhado focinho.

Se quiser um conto de fada?

Apenas VIVA, cãozinha!

Tradução do russo*: Robson Ortlibas.

*traduzido sem fins lucrativos. Caso utilize, cite a fonte.

Лапа моя, лапа,

Носа моя, носа,

Я научусь плакать

Тихо и безголосо.

Я научусь думать

Много и без истерик,

Гордость запру в трюмы

И научусь ВЕРИТЬ!

Чуда моя, чуда,

Рада моя, рада,

Хочешь, с тобой буду

Весь выходной рядом?

Хочешь, прижмись с лаской

Мокрым своим носом.

Хочешь про снег сказку?

Только ЖИВИ, пёса!

Escute! (Vladimir Maiakóvski)

maiakovski

Escute!

Afinal, se as estrelas iluminam,

significa que alguém precisa?

Significa que alguém quer que elas existam?

Significa que alguém nomeia estas cuspidas

de pérola?

E, esforçando-se

nas nevascas de poeiras do meio-dia,

apressa-se para Deus,

teme, que se atrasou,

chora,

beija a sua mão retorcida,

pede

para que realmente haja uma estrela!

ele jura

não suportará este calvário sem estrela!

Mas depois,

caminhando impaciente,

mas exteriormente calmo.

Fala para alguém:

“Afinal, agora você está bem?

Não está assustado?

Não é?!”

Escute!

Afinal, se as estrelas

iluminam,

significa que alguém precisa?

Significa que é necessário,

que a cada noite

sobre os telhados

iluminasse ainda uma estrela?!

1914

Tradução do russo*: Robson Ortlibas.

*traduzido sem fins lucrativos. Caso utilize, cite a fonte.


Послушайте!

Послушайте!

Ведь, если звезды зажигают –

значит – это кому-нибудь нужно?

Значит – кто-то хочет, чтобы они были?

Значит – кто-то называет эти плевочки

жемчужиной?

И, надрываясь

в метелях полуденной пыли,

врывается к богу,

боится, что опоздал,

плачет,

целует ему жилистую руку,

просит –

чтоб обязательно была звезда! –

клянется –

не перенесет эту беззвездную муку!

А после

ходит тревожный,

но спокойный наружно.

Говорит кому-то:

“Ведь теперь тебе ничего?

Не страшно?

Да?!”

Послушайте!

Ведь, если звезды

зажигают –

значит – это кому-нибудь нужно?

Значит – это необходимо,

чтобы каждый вечер

над крышами

загоралась хоть одна звезда?!

1914

Quando o amor morre… (Marina Tsvetaeva)

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“Quando o amor morre – ressuscitá-lo é impossível.

Resta-se o vazio, o tédio e a indiferença.

Matar o amor não se pode – ele morre por si,

restando apenas cinzas e um terrível e indescritível rancor,

rancor àquele que este amor em nós – causou,

mas guardar – não deu, não pôde…”

 

Tradução do russo*: Robson Ortlibas.
*traduzido sem fins lucrativos. Caso utilize, cite a fonte.

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“Когда любовь умирает — воскресить её невозможно.

Остаётся пустота, скука и равнодушие.

Убить любовь нельзя — она умирает сама,

оставляя голое пепелище и страшную невыразимую обиду,

обиду на того, кто эту любовь в нас — вызвал,

но сохранить — не дал, не смог…”

Noite, rua, botica, lanterna… (Aleksandr Blok)

Noite, rua, botica, lanterna,

Luz destituída e retraída.

Ainda viva, embora não eterna —

Tudo assim será. Sem saída.

Morre – começa de novo afinal

E como antes, tudo reitera:

Noite, gélidas ondas do canal,

Botica, rua, lanterna.

10 de outubro de 1912

Tradução do russo*: Robson Ortlibas.
*traduzido sem fins lucrativos. Caso utilize, cite a fonte.

Ночь, улица, фонарь, аптека,

Бессмысленный и тусклый свет.

Живи ещё хоть четверть века —

Всё будет так. Исхода нет.

Умрёшь — начнёшь опять сначала

И повторится всё, как встарь:

Ночь, ледяная рябь канала,

Аптека, улица, фонарь.

10 октября 1912